quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O infinito não Saber

Ele estava ali perdido em pensamentos infinitos, pensamentos ínfimos... perdido em seu próprio interior...
Passara tanto, e ainda aprendera nada, as asas estavam baixas, não... não existiam as tinha guardado assim como a foice, ali naquele banco passaria por qualquer um, comum simples e pagão.
Mas estava ali, aquele que executa a final jornada e da o sinal da virada, quem corta a linha que nos liga a nosso plano mortal.



- Nunca imaginaria que estarias aqui, uma voz jovem quebra o silencio... O de asas não responde. Ele continua... Eu não te entendo, não seria apenas vir aqui e me levar? Ou a política chegou ao inferno ou ao Paraíso?
 - Eu não entendo vocês, o de Asas quebra também o silencio repentino... por mais que eu viva suas vidas, e me aproxime de suas dores, elas me são tão incontroláveis e enormes, que não posso sequer concebe-las. Elas me queimam me tiram o amago do seguir, me tiram o norte.
 - Hum então o paraíso sente... continue...
 - Essas coisas que vocês tem, sentem... como conseguem?
 - Nós não conseguimos, apenas seguimos, errando e acertando com estes frios absurdos meu amigo algoz, apenas somos, perdemos tantos e ganhamos tantos... Mas eu entendo tua duvida e dor, é a dor de meu povo é a dor de minha raça...
Eu não podia imaginar que vocês, tão superiores e distantes poderiam sentir isto...
 - E não podemos, Eu posso, não sei o porque desta piada...
 - Talvez seja para nos ver como somos, mas eu tenho pena de ti, porque isto vai te consumir cada vez mais. E mais...
 - Sabe, pessoas passam pela minha existência e marcam, mas sempre que a marca se torna mais importante, mais profunda elas começam a sair, e sair e sair qual o objetivo disso, o que me torna mais forte?
E parece que não muda nunca, sempre o mesmo acontecer, quando acho que consigo proteger alguém, ser melhor fazer a diferença tudo começa a falar contra e uma jaula de asas frias vao me levando e levando e levando... Não quero tira-las de suas vidas ou do que fazem, não preciso me tornar o centro de suas vidas, sabe mesmo sendo o tipo de ser que sou entendo isso... Só quero um pequeno canto de importância e que ela consiga vir a mim e sorrir, como é estranha sua raça e esta sensação. Como poderia trocar vastas áreas e impérios pelo sorriso e o trocar de palavras de alguém...
 - Ah meu caro amigo algoz vejo que estas atacado pela nossa maior força e fraqueza, e te digo, infelizmente não tenho o que te dizer sobre, e vejo que isto ja te maculou nao uma mas varias vezes... e ainda iras macular mais.
E como um arauto tenho algo triste a te dizer...
Não te tenho respostas...
Não te tenho saídas...
 - Mas então como fazes?
 - Vivemos... vivemos até o dia em que tu tens que vir nos buscar, e quando REALMENTE vivemos vamos felizes contigo... felizes por podermos ter vivido isto
- Viver, sera que é o que eu estou passando?
-Sim esta é tua sina, agora vejo amigo algoz...
- Sera que  um dia eu aprendo?
 - Bem eu depois de 100 vidas ainda não aprendi...
 - Mas como se aprende?
 - Ahhh amigo, apenas vivendo, apenas vivendo... Vamos?
A conversa termina com um olhar, não frio ou convidativo apenas um olhar de compreensão tênue e talvez até um pouco vazio, o amigo algoz mostra as asas que mudam com a alma e busca o instrumento de seu trabalho, a Ceifadora aparece ao seu lado o abraça de forma provocativa e se envolve em sua mão tornando-se a mãe das foices, a mãe das passagens, presente e grilhão que deveria levar por toda existência, e em um toque que nada assustou seu novo amigo os dois caminharam rumo ao que seria um novo ato de sua infinita peça...
Sua Vida...

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