Teorema das asas
Onde tua alma voa?
Por onde vai teu existir?
Andas por campos desolados
Jardins psicóticos
de verde mortífero
Ou viajas por pradarias sinuosas
Montanhas que exalam o prazer pudico
do simples existir?
Pântanos de não viver
charcos de preguiça e servidão absolutos
Onde tua alma voa?
Que asas usa?
Despertas tua visão?
ou prefere mata-la em dias cinzas
Sem asas, sem vontades
Apenas um construto existencial
Programado e planejado
Apenas cumprindo e cumprindo
Um papel de mascara
papel de face
de onde nada existe
apenas para um sistema,
Que ja nascera morto
possa vangloriar-se
de suas mentiras e engodos
Que denunciam o morrer
do sol da alma.
Venha ó asas do tempo
rasga este padrão
crie um novo cisma
e me faça ver
além das falsas cores
falsas almas
falsos odores
Deixa-me voar em verdade
e como testemunha provar
todos os jardins
todos os campos
pelas pradarias
montanhas
e purificar todo pântano e charcos...
Que assim a vida brote e grite
como uma grande Beltane
Que dança ao infinito
e se deixa levar
por tão leve asa, que se cria da alma
em teoremas de vidas, derrotas e vitorias
se forma e fortifica a cada grão
do tempo das areias
se solidifique e se mostre
em toda sua beleza,
neste teorema de vidas, Teorema das asas...
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